domingo, 22 de maio de 2016

T1; L1; § 4. [ESPAÇO, TEMPO E CAUSALIDADE / CORPO E ENTENDIMENTO PURO / INTUIÇÃO SENSUAL-INTELECTUAL].

"[SUCESSÃO] é toda a essência do tempo".
A "possibilidade das determinações recíprocas de suas partes" [POSIÇÃO] é toda a essência do espaço.
CAUSALIDADE [e seu efeito] é toda a essência da matéria. "O ser da matéria é o seu fazer-efeito".

* * *

"A forma, que é inseparável da matéria, pressupõe o ESPAÇO; e o fazer-efeito
[CAUSALIDADE] da matéria, no qual consiste toda a sua existência, concerne sempre a uma mudança, portanto a uma determinação do TEMPO".

Caso o espaço e o tempo fossem desconexos não haveria causalidade e por conseguinte, matéria, posto que aquela é a essência desta. Disto, conclui-se que A LEI DA CAUSALIDADE é necessária para que o mundo exista e que exista uma limitação recíproca do tempo e do espaço.

"A mudança, isto é, a alteração ocorrida segundo a lei causal, concerne, portanto, sempre a uma determinada parte do espaço e a uma determinada parte do tempo, SIMULTANEAMENTE".

"A CAUSALIDADE une ESPAÇO e TEMPO"; une em si qualidades antagônicas de ambos como fluidez (TEMPO) e rigidez (ESPAÇO).

A MATÉRIA envolve, primeiramente, SIMULTANEIDADE e - o que constitui a essência da efetividade - DURAÇÃO.

"MUDANÇA [é] a modificação da qualidade e da forma a despeito da permanência da SUBSTÂNCIA, vale dizer, MATÉRIA".

"No mero espaço o mundo seria rígido e imóvel [...]. No mero tempo [...] tudo seria fugidio [...]. Apenas pela união de tempo e espaço é que resulta a matéria".

"Qual estado tem de entrar em cena NESTE TEMPO e NESTE LUGAR é a determinação à qual exclusivamente se estende a legislação da causalidade".

Do exposto reconhece-se certas propriedades a priori da matéria: impenetrabilidade, extensão, indestrutibilidade e mobilidade. [Claro que aqui, poder-se-ia fazer alguns reparos no conceito de matéria de Schopenhauer, século XIX, em vista das revoluções da Física do começo XX: matéria-energia e, antes, espaço-tempo. O mesmo vale para o conceito de gravidade que, ao contrário de Kant, ele computa como conhecimento a posteriori].

O correlato subjetivo do tempo e espaço, chamou Kant de SENSIBILIDADE PURA.
O correlato subjetivo da matéria/causalidade é o ENTENDIMENTO.
"A primeira e mais simples aplicação [...] do entendimento é a intuição do mundo efetivo [:] conhecimento da causa a partir do efeito [SOBRE OS CORPOS (OBJETOS IMEDIATOS) DOS ANIMAIS] ".
A intuição de todos os outros objetos é intermediada pelo corpo.

"As mudanças que cada corpo animal sofre são imediatamente conhecidas [...] e na medida em que esse efeito é de imediato relacionado à sua causa, origina-se a intuição desta última como um OBJETO. Tal relação não é uma conclusão em conceitos abstratos [...] mas é imediata, necessária, certa. Trata-se do modo de ENTENDIMENTO PURO, sem o qual não haveria intuição, mas restaria apenas uma consciência abafada, vegetal, das mudanças do objeto imediato, que se seguiriam completamente insignificantes [...] caso não tivesse um sentido como dor ou prazer para a vontade. Ora, assim como o nascer do Sol faz surgir o mundo visível, também o entendimento transforma [...] a sensação abafada que nada diz em intuição".

"O entendimento une espaço e tempo na representação da MATÉRIA, isto é, eficácia"

"[A] INTUIÇÃO não é somente sensual, mas também intelectual".

O conhecimento da lei da causalidade é a priori e dele depende toda intuição; mas, não o inverso. O conhecimento da lei da causalidade não depende da experiência.

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